22/07/1998

apenas dormia, pensando em deuses. seus deuses, seus donos, seus amos. dormia enrolado num edredom velho. tentando esquecer o frio. querendo a tarde. tentando lembrar de como era sentir calor. dentro da mãe. dentro do mundo. dentro das coisas. pensava em seus deuses, pensava no sol. ainda que a tarde o esquentava, ainda que o mantinha feliz. o sol, seu deus maior.

15/08/2006

esperavam que tivesse morrido. que os tubarões o tivessem comido. mas estava na beira da areia, esperando. esperando sabe se lá o quê. sabe se lá onde. sabe se lá quem. estava lá, como quem espera. quem espera o quê. quem espera onde. quem espera quem.  esperava, sem tubarões, sem saberes, sem alguéns. esperava a sombra do guarda-sol.

14/07/2005

a essa hora que parte de nós espera. que parte de nós ainda resta. que parte de nós ainda enseja. que parte de nós fulgura no florão da américa?

18/02/2003

quantas vezes vou gritar que não mereço seu apreço. sou errado, reconheço. teu filho no teu ventre-espelho. sabe que não presto e nem me arremedo. seus dentes e olhos quase pretos. teu brasão tem meu desprezo. quando não diz é sossego. não consigo me ver sem medo. do seu lado me esqueço. que um dia já tive desejo.

19/07/2004

há quanto tempo não a vejo, seu sorriso branco. seu busto grande. seu andar de jeans. um dia eu ainda passo e me declaro no cachambi.

31/12/1997

preciso ser mais você menos eu. e sim, todo coroinha é ateu. posso ver mais do que sentir. e não, o papa não estava aqui.

27/03/2013


no sul do estado mora um moça, por quem tenho apreço. nasceu no fundo do país pelo qual amanheço. nunca a vi pessoamente, mas a tenho de repente. enquanto escrevo esses versos  imagino-a na mente.